sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ter o tempo das nuvens
passar lento e leve
uma vida breve

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nenhum desejo compulso. Somente essa sensação de existir ausente. Não que eu possa, mas eu sinto. Sentir é uma possibilidade, não a realização da possibilidade. Me resta então sentir essa falta. Um oco tão fosso com uma luz de túnel, um ponto de fuga que deixa tudo profundo. Não há sonhos, não há fim. É sem saber mesmo, a esmo. Esse estado menos só pode desembocar na chatice da vida. Nada mais tedioso e sem sentido. Essa insistência na morte prorrogada em ambições ambíguas. Não crer é uma crença que não leva à lugar nenhum, se não recair sobre essa apatia à vida. Mas não sem prazer, afinal são necessárias as não realizações satisfatórias do ser. Se houvesse gozo eterno ele seria alcançado sob o efeito de uma droga eterna. Mas ninguém acredita nesse fim das coisas, no momento eterno. O gozo é uma felicidade casual de vampiros.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

fui apenas dar uma força amiga, mas acabou e perdi todas as forças. aqueles dias que correram coisas ditas por encomenda. um sapato preto, uma meia branca e essas coisas sempre mesmas, lesmas na vivência com seus caminhos pegajosos e brilhantes. de amiga para namorada e novamente amiga, ou talvez nada. os dias acabam como nunca foram.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

fisgada

toda superfície pesa como chumbo na ponta d´agulha o toque pontisso do viver sem o suficiente

há uma lentidão de bichos nos carros parados na hora do rush como elefantes enfileirados a rugir suas trombas contra o céu numa melódica dança monótona

passos lentos por vez incertos do caminho tateado entre espaços de outros animais pesados subindo uma trombeta lentamente expelindo um som nasal

a calma do bando frente suas cabeças animais com dentes curvados pontiagudos incitando o perigo da selva
Uma tarde cai cinza do ceú
brilham luzes na noite concreta.
xadrez de estrelas incertas

umas desaparecem enquanto
umas ferozmente crescem.

sóis há na noite que brilha,
faróis acesos do próprio caminho

e eu alto, do brilho da estrela
ouço os sons que piscam insistentes

quarta-feira, 6 de abril de 2011

só (
sem títulos
sem rótulos
sem mensagem
só imagem)
riso

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