segunda-feira, 18 de abril de 2011

fisgada

toda superfície pesa como chumbo na ponta d´agulha o toque pontisso do viver sem o suficiente

há uma lentidão de bichos nos carros parados na hora do rush como elefantes enfileirados a rugir suas trombas contra o céu numa melódica dança monótona

passos lentos por vez incertos do caminho tateado entre espaços de outros animais pesados subindo uma trombeta lentamente expelindo um som nasal

a calma do bando frente suas cabeças animais com dentes curvados pontiagudos incitando o perigo da selva
Uma tarde cai cinza do ceú
brilham luzes na noite concreta.
xadrez de estrelas incertas

umas desaparecem enquanto
umas ferozmente crescem.

sóis há na noite que brilha,
faróis acesos do próprio caminho

e eu alto, do brilho da estrela
ouço os sons que piscam insistentes

quarta-feira, 6 de abril de 2011

só (
sem títulos
sem rótulos
sem mensagem
só imagem)
riso

Luz de velas

sou sua queima
sou sua queixa
como o azul chama fogo
o céu quase se desfaz contra o teto
e comigo a fumaça

o vento é espaço entre cinzas

medula modulada em curvas

Dormir

Deito na cama
com olhos em punho cerrado
ceú terraço andares vizinhos
cobertor eu
nu e protegido
um lápis que corre
e um desejo desperto.

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