sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Primavera
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ponto de apoio
Às vezes a gente se rende
Rendido, a gente se entrega
Entregue, a gente se arqueja
Arquejado, a gente peleja
Pelejando, nos esquecemos
Esquecidos, nos rendemos.
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Impossibilidades(O Fardo da Ilusão)
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Bocejo
Todas as manhãs sentar na cama. Todas as manhãs descobrir meu corpo no cobertor, esquecer que a virilha está ali logo cedo, que meu umbigo coberto acorda, que minha nuca deixada pra trás se apresenta. Todas as manhãs me descubro corpo, enquanto a alma do sonho repousa
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Vazio
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Bonsai
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Junte-se a eles
segunda-feira, 17 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
A boca aberta:
há qualquer coisa de doce,
qualquer coisa de susto,
coisa de desatento.
Surpreso, suspiro.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Paixões de rua
Esquina
Duas horas da madrugada:
Dois adolescentes sentados inquietos no cruzamento de uma rua central. Parece música o silêncio neste ponto da cidade. (Só agora algo de tranqüilidade). Poucos carros passam. A viatura da policia não cruza a rua. A poucos metros o movimento nos bares: putas nos balcões, bêbados puxando papo, alguns distintos bebendo cerveja ou uma dose. Alguns metros dali: putas e travestis se exibem para os carros, esperando por trabalho. No geral, os travestis possuem corpos mais atraentes e, talvez por essa razão, mais requisitados. No entre cenas: outros sentados nas marquises, procurando no chão um pensamento paranóico escondido dentro da cabeça, beijando alguma lata amassada, consumindo alguns instantes.
...
_ Minha vez, minha vez, mmeee dddÁ! com olhos famintos, mãos suplicantes e coração palpitante, ele exige.
_ TOMÁ NO CÚ PORRA! Só mais uma. com o bico da boca, a mão da lata e o isqueiro do dedo, estanques e ofegantes.
...
Situar-nos-emos neste conto:
A cidade é Curitiba.
A esquina das ruas Presidente Farias e São Francisco.
O dia é os dias.
...
No outro dia, pela manhã: duas amigas, tênis ALL STAR, calças da rede de educação estadual, cabelos tinto-vermelhos em uma e n´outra tinto-amarelados com pontas pretas. Uma de jaqueta preta e a outra em blusa de lã listrada verde-vermelho. O sol de céu azul: 8ºC. Num banco, entre o Teatro e a Universidade Federal do Paraná: praça Santos Andrade.
N´outro banco, há oito anos em Curitiba, vindo de São Paulo pensando em qualidade de vida e emprego, um morador de rua. Carlos, 55, dorme nas marquises no entorno da praça. Percebe as amigas e pensa nas besteiras de jovens... aii, meu papai vai me dar um presente por que passei na faculdade..aii, não sei o que eu quero... aii guria, será que eu pego um carro ou uma viagem pros Estados Unidos? Enquanto pensa repara que Vivian esfrega freneticamente a mão direita na calça jeans. Peladinha, de quatro, uma bucetinha rosadinha, lamberia ela inteira. Em baixo daquela blusinha, aquele biquinho rosadinho...
Vivian – Guria, tô afim de fumar uma hoje.
Carla – Vai ué!
Vivian – Ai, credo!
Carla – Ai meu, você num para mais. Todo dia! Num tô afim.
Vivian – Tá bom! Só perguntei. éé, acho que vô dá um tempo também. beija pode pelo menos?
...
Madrugada fria. Ao lado da catedral, marco inicial da cidade, um carrinho de cachorro-quente: um casal de mulheres aguarda o lanche enquanto conversam sobre os acontecimentos da noite. Chega um grupo de três amigos, pedem seus lanches e ficam a aguardar, enquanto um senhor de pé ao lado deles come um cachorro-quente. Do outro lado da rua, na praça Tiradentes, o movimento é quase nulo. Algumas pessoas passam apressadas, indo para casa ou à procura de um lugar quente... poucos carros.
...
_ Me dá a bolsa, me dá a bolsa... com uma ponta do pedaço de caco de vidro encostado na garganta dela, colocado por entre uma pequena brecha no vidro do motorista aberto, ele insiste... ME DÁ A BOLSA PORRA!
Daniela hesita por um momento, com o baseado na mão direita, mas não reage. Na madrugada, esquina da praça Tiradentes, apenas entrega a bolsa. Enquanto vê aquela criança desaparecendo em instantes pensa nos R$20,75 que estavam na bolsa de R$70,00 e no celular de R$700,00 que ainda paga, mas que por sorte, poucos minutos antes havia atendido e deixado em cima do banco de passageiro. Não pensa com pesar, apenas pensa, pois aquele pequeno estado de choque, dado que o trauma não foi tão grande, a deixa apenas pensar, sem refletir e sem lamentar-se.
Lenor corre, mas não muito. Logo, atrás da catedral, está tranqüilo. Olha ofegante com olhos-coruja para a bolsa e lados. Porcarias. Na carteira vinte reais e algumas moedas. Joga a carteira e deixa a bolsa ali.
Jorge chega rápido ofegantes olhos-coruja, sem dizer uma única palavra. Apenas acompanha Lenor, com um ar de desespero e euforia, olhando para os lados freneticamente mordendo a manga da blusa.
Andam alguns metros.
Outro olhos-coruja, olhando para os lados, levantando as calças caindo, chinelo de dedo, blusa vermelha surrada suja chega e pergunta “Quanto?”.
Lenor, com as pedras na mão, saí com Jorge a tiracolo.
Andam pelos becos centrais até chegarem a um lugar que acreditam que não serão importunados. Param mais pela vontade que pela segurança. Jorge com a lata amassada na mão, que entrega para Lenor, que fuma o cigarro... olham para os lados, numa mistura de pavor ansiedade desespero prazer vontade. Lenor faz o buraco na lata, coloca a cinza do cigarro, deposita a pedra e...
Andando olhando buscando alguém ou algo. No chão uma procura no olho a mistura entre medo em ansiedade. A mão na bolsa da jaqueta aperta dez reais. Na esquina outro olhos-coruja, olhando para os lados, levantando as calças caindo, chinelo de dedo, blusa vermelha surrada suja chega e pergunta “Quanto?” e ela compra sua procura. Eles somente mudam a esquina e o rosto, mas as outras características físicas o crack democratiza, tornando todos iguais.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Nascer aqui Crescer Morrer aqui
Os olhos ainda não viam, apenas olhavam. Olhar ireflexo, sem refluxo de pensamentos. Sensação tão crua como tocar o fogo, porém, não chegando a manifestar-se ainda como sensação. Como o verbo que desconhece a adjetivação, havia o sentir, mas não o sentido.Infelizmente, para os olhos que lêem não é possível similar sensação.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
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