Uma praça é andar sem precisar desviar de alguma parede. Os muros são prédios e casas e comércios e bares e igrejas e prisões e museus e cafés e teatros e cinemas e shoppings e... Um lugar aberto, com grama ou concreto somente para os pés. O limite é o chão, não podando o movimento.
Espaço com bancos aqui e acolá com velhinhos apossentados simpáticos ou ranzinzas com pombas sob os pés comendo algo deixando pulgas com ratos correndo medrosos com estatuas de dorsos flutuantes com chafariz jorrando água constantemente, ou não.
Nos bairros elas são motivo de diversão para crianças e distração para adultos. O espaço os brinquedos a grama as árvores: sinônimos do lazer. Para os cães estes locais públicos significam alívio da claustrofobia. Lá não há quintais e cômodos limitando as corridas. São alívio para as necessidades fisiológicas do melhor amigo do homem.Circular, quadrada, entrecortada ou ladeada por caminhos que rodeiam seu centro contornando jardins. Na praça podemos ficar a esperar alguém, olhando e pensando em como a vida fora dos seus limites corre em ritmo alucinado. Alguns corpos tentados pelo caminho mais curto atravessam-na com uma passada estranha aos que tem seu ponto final ou de partida ali. Esse recorte de pessoas que passam acontece todo tempo.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
ÀS 19 HORAS
Praça do homem nu: e
........................mulher de dorso petrificado,
praça dos desavisados: desanuviados com o mundo, enquanto
........................uma mulher passa gritando “JUSTIÇA!”, assim
........................sem mais nem menos, um grito seco, e
um grupo, desabrigados, pilhéria com o companheiro bêbadocaído no centro da praça,
........................enquanto falta de emprego desespera mãe sentada no banco,
jogam água “acorda vagabundo, vai rouba osotro!” e
...............................................................................ao lado, no shopping,
.........................as mulheres olham como quem olha peixe,
................................................................................feixes feitos fetiches.
........................mulher de dorso petrificado,
praça dos desavisados: desanuviados com o mundo, enquanto
........................uma mulher passa gritando “JUSTIÇA!”, assim
........................sem mais nem menos, um grito seco, e
um grupo, desabrigados, pilhéria com o companheiro bêbadocaído no centro da praça,
........................enquanto falta de emprego desespera mãe sentada no banco,
jogam água “acorda vagabundo, vai rouba osotro!” e
...............................................................................ao lado, no shopping,
.........................as mulheres olham como quem olha peixe,
................................................................................feixes feitos fetiches.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Como
emcontoenquantoopoemaemcoma
cantoocontodopoetaemcanto
coisaemcomanocantodapoesia
contodopoetaemquantoencanta
emgana.
cantoocontodopoetaemcanto
coisaemcomanocantodapoesia
contodopoetaemquantoencanta
emgana.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Molha-me a seco
Chove lá fora!
Aqui,
dentro,
chove lá fora!
Na vidraça há riscos!
Das gotas,
de água,
na vidraça há riscos!
Chove de riscos!
Aqui,
dentro,
das gotas,
de água,
Aqui,
dentro,
chove lá fora!
Na vidraça há riscos!
Das gotas,
de água,
na vidraça há riscos!
Chove de riscos!
Aqui,
dentro,
das gotas,
de água,
chove de riscos!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pena
Plena...
Pluma leve que voa
como numa duna,
leve soar dos grãos ao vento.
Voa...
Vai de ar em ar
leve ao vento a arquejar
cair, girar e subir em paz
Encena...
Ensina como deve o ser
leve pluma, leve
como ir ao vento
Pluma leve que voa
como numa duna,
leve soar dos grãos ao vento.
Voa...
Vai de ar em ar
leve ao vento a arquejar
cair, girar e subir em paz
Encena...
Ensina como deve o ser
leve pluma, leve
como ir ao vento
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Vazio
Há um pra-n-to posto
de mentira está servido
Há um prato pronto
a mentira está servindo
Há fome
eu como
À sede
eu brindo
um copo sincero
vazio
de mentira está servido
Há um prato pronto
a mentira está servindo
Há fome
eu como
À sede
eu brindo
um copo sincero
vazio
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Degustar
DEGUSTAR
sente o cheiro
quente e inteiro
denso e intenso
o corpo pouco
a pouco torna
o copo para
dentro de si
quente e inteiro
denso e intenso
o corpo pouco
a pouco torna
o copo para
dentro de si
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