Lia tranquilo no meu assento do ônibus, depois de alguns momentos na fila de pé e aquela apreensão de conseguir um banco para sentar. Passei pela zona de risco, umas 20 pessoas na minha frente. Consegui sentar no penúltimo lugar. Eram os louros da vitória que eu colhia, tudo na paz.
Então o sujeito chega, para de pé nas minhas costas, no corredor, e começa a conversar com duas moças no banco de trás. Tudo ótimo ainda, estou sentado e com um pouco de relutância posso me concentrar o suficiente para não ouvir a voz do individuo. Pois, não feliz, chamou pelo amigo que estava na parte dianteira do ônibus. O tom da voz fica mais alto, afinal são dois homens e duas mulheres... é necessário se sobressair.
Não contente em falar no meu ouvido naquela altura o amigo ainda fica se esfregando em mim. Não, a porcaria do ônibus não estava lotado. Mas como sou um rapaz educado, resolvi fechar o livro e ouvir(se não pode com eles). Até porque já me rendeu bons textos prestar atenção no papo alheio. Mas nem isso... só essas linhas indignadas.
Pra não ficar curioso, digo sobre o que versava o papo. Um recuperado pelos céus. O sujeito não se continha com sua salvação. Era preciso que todos nós que rumávamos pra casa naquela quinta-feira, às 22h40, soubéssemos que ele havia passado pela maconha, pela cocaína, pelo crack e estava ali para contar a história. Glória! Pena ele me obrigar a consumir a droga da história dele.
Pena de vocês que acabam de consumir essa droga de texto. Mas agora que já passou, vocês podem fazer o mesmo por outras pessoas. Pensem que se elas não passarem por isso, não saberão a benção que é sair dessa.
Amém!