morder o bico do teu peito
e te sentir fremir como uma folha
num último suspiro que suspende no galho
deixar a lingua deslizar
enquanto cai leve sobre a cama
suas curvas suspensa no toque dos meus dedos
abrir suas pernas
firmando seu quadril no chão
parar meus lábios sobre os seus
e sentir salivar com salivar
duas aberturas e uma fome que consome
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
um toque leve, quase líquido
apenas a textura dos dedos na pele
tecendo seu corpo, num enlevo suave
na mais macia das teias, usurpadora
antecessora do gozo, domesticando o tato
nem lembro quantas vezes, assim
fiz correr sobre a sua pele a minha pele
no mais intímo e infimo dos contatos
te doando o mínimo do meu corpo
no máximo da minha presença
apenas a textura dos dedos na pele
tecendo seu corpo, num enlevo suave
na mais macia das teias, usurpadora
antecessora do gozo, domesticando o tato
nem lembro quantas vezes, assim
fiz correr sobre a sua pele a minha pele
no mais intímo e infimo dos contatos
te doando o mínimo do meu corpo
no máximo da minha presença
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Nenhum desejo compulso. Somente essa sensação de existir ausente. Não que eu possa, mas eu sinto. Sentir é uma possibilidade, não a realização da possibilidade. Me resta então sentir essa falta. Um oco tão fosso com uma luz de túnel, um ponto de fuga que deixa tudo profundo. Não há sonhos, não há fim. É sem saber mesmo, a esmo. Esse estado menos só pode desembocar na chatice da vida. Nada mais tedioso e sem sentido. Essa insistência na morte prorrogada em ambições ambíguas. Não crer é uma crença que não leva à lugar nenhum, se não recair sobre essa apatia à vida. Mas não sem prazer, afinal são necessárias as não realizações satisfatórias do ser. Se houvesse gozo eterno ele seria alcançado sob o efeito de uma droga eterna. Mas ninguém acredita nesse fim das coisas, no momento eterno. O gozo é uma felicidade casual de vampiros.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
fui apenas dar uma força amiga, mas acabou e perdi todas as forças. aqueles dias que correram coisas ditas por encomenda. um sapato preto, uma meia branca e essas coisas sempre mesmas, lesmas na vivência com seus caminhos pegajosos e brilhantes. de amiga para namorada e novamente amiga, ou talvez nada. os dias acabam como nunca foram.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
fisgada
toda superfície pesa como chumbo na ponta d´agulha o toque pontisso do viver sem o suficiente
há uma lentidão de bichos nos carros parados na hora do rush como elefantes enfileirados a rugir suas trombas contra o céu numa melódica dança monótona
passos lentos por vez incertos do caminho tateado entre espaços de outros animais pesados subindo uma trombeta lentamente expelindo um som nasal
a calma do bando frente suas cabeças animais com dentes curvados pontiagudos incitando o perigo da selva
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Dormir
Deito na cama
com olhos em punho cerrado
ceú terraço andares vizinhos
cobertor eu
nu e protegido
um lápis que corre
e um desejo desperto.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Crença
pensa que pensa
quando pensa
o que pensam outros
ninguém pensa nada
ninguém pensa ninguém
se alguém pensa ninguém
ninguém pensa alguém
sem alguém ninguém
pensa
sem alguém
ninguém pensa
domingo, 30 de janeiro de 2011
A sombra da sobra
Somente um beijo
para não querer
mais seu abraço
Somente um sorriso
para não querer
mais seu beijo
um andarilho
nas sobras do amor
na sombra da solidão
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Primavera
Pois Princesa
a vida é mais singela
sem coroa a sua
roda apertada
tem toda frouxa
sua rosa roxa
suave o seu perfume
de estrume em sua coroa
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ponto de apoio
Às vezes a gente se rende
Rendido, a gente se entrega
Entregue, a gente se arqueja
Arquejado, a gente peleja
Pelejando, nos esquecemos
Esquecidos, nos rendemos.
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Impossibilidades(O Fardo da Ilusão)
O que vê e o que sente
meu amigo
amigo meu
são - impossibilidades
de dor
angustia
tristeza
e amor
Tudo num mesmo saco
não há gato
não há balaio
a tristeza e a dor
vem de dentro:
busca de angustia do amor.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Bocejo
Meu marco inicial de vida todos os dias é abrir os olhos. Meu marco inicial de realidade é as pessoas que vejo ontem e são as mesmas hoje. Meu abrir de olhos pela manhã é penumbra que dissipa a nevoa do sono, com um raio de claridade, suco de ar em meio ao mormaço.
Todas as manhãs sentar na cama. Todas as manhãs descobrir meu corpo no cobertor, esquecer que a virilha está ali logo cedo, que meu umbigo coberto acorda, que minha nuca deixada pra trás se apresenta. Todas as manhãs me descubro corpo, enquanto a alma do sonho repousa
Todas as manhãs sentar na cama. Todas as manhãs descobrir meu corpo no cobertor, esquecer que a virilha está ali logo cedo, que meu umbigo coberto acorda, que minha nuca deixada pra trás se apresenta. Todas as manhãs me descubro corpo, enquanto a alma do sonho repousa
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